Segunda-feira, 29 de Maio de 2006
Como avaliar um bom professor?

 

Após uma relativa acalmia na divulgação das reformas na educação, eis que surge mais uma medida polémica! De acordo com o Ministério da Educação, os pais poderão passar a avaliar os professores dos seus educandos. Curiosamente, tal medida transformou-se já numa piada entre professores. Pelos corredores das escolas ouvem-se professores a desculpabilizar-se, em determinadas situações, com o facto de serem, de futuro, avaliados pelos pais dos seus alunos..  E, claro, alunos descontentes prometendo vinganças a médio/longo prazo..

 

 Na verdade, há muito que se vinha a sentir a necessidade de avaliar a qualidade profissional dos professores. Todos nós, por mais que o queiramos esquecer, tivemos ao longo do nosso percurso escolar alguns maus professores. E, uns mais do que outros, nos sentimos de alguma forma prejudicados por isso. Agora não me parece é que a solução seja pôr os pais a avaliar os docentes. Por exemplo, que avaliação farão dos professores aqueles pais que, devido à sua ocupação profissional, não acompanham devidamente os seus filhos? É preciso ter em conta que, na maioria das turmas de 32 alunos, de uma escola vulgar, aparecem cinco ou seis nas reuniões de pais. Faz-me lembrar um inquérito sobre um projecto educativo que eu desconhecia e o qual fui obrigada a preencher.. Depois há aqueles pais que vão à escola ameaçar determinado professor que teve o desplante de repreender o seu filhinho hiper-problemático à frente de mais uns quantos miúdos da mesma idade.. Há ainda que ter em conta o grau de imparcialidade de um pai cujo filho teve uma nota abaixo daquela que gostaria, ainda que adequada.. Conseguirá ele resistir à tentação de chumbar o professor? Afinal de contas, se o papel dos professores é ensinar, perante uma má avaliação facilmente se conclui que o professor não cumpriu o seu papel.. Sobram uns poucos pais conscenciosos e que, quer porque acompanham o percurso escolar dos seus filhos, quer por falta de tempo, quer por medo de represálias, avaliarão de igual modo um bom e um mau professor, correndo-os a todos com a mesma «nota».

 

Enfim, polémicas áparte, o que gostaria mesmo de saber é se os pais vão proceder como os professores em relação aos alunos de 20. Neste caso, aos professores de 20.. É que com a tendência que há nas escolas públicas para guardar os vintes para o terceiro período, e às vezes para o quarto, pode ser que os respectivos pais guardem os vintes para o oitavo escalão.. E, nesse caso, mais vale aos professores mudarem-se para o ensino particular onde, tradicionalmente, não existem «tectos» e as notas são bastante inflaccionadas.. Com a vantagem de que não existirão Exames Nacionais para as nivelar...

publicado por Ana Silva Martins às 19:55
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Quinta-feira, 25 de Maio de 2006
Mudança de visual...

A pedido de várias famílias, que se queixavam de não conseguir ler, mudei as cores do Blog para que acabem as desculpas para não comentarem os posts. Continuo a gostar mais da versão cromática anterior, mas há que adaptar o produto às exigências do mercado. Enfim...

publicado por Ana Silva Martins às 21:58
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Segunda-feira, 22 de Maio de 2006
Um Problema de Produtividade...
sinto-me: www.publico.pt
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publicado por Ana Silva Martins às 21:25
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Quarta-feira, 17 de Maio de 2006
Encerramento de maternidades: polémica ou necessidade?

Embora esteja já em período de intensa preparação para exames (e, portanto, menos dedicada às concórdias e desacatos que por ai andam), não posso ficar indiferente a toda a contestação que tem surgido devido ao encerramento anunciado de várias maternidades que não reunem condições viáveis à manutenção da sua actividade. Na verdade, toda esta revolta pasma-me. Eu, naturalmente porque sou menos iluminada do que outros, facilmente percebo que uma maternidade que realiza 400 partos por ano (1,1 partos por dia) através da manutenção de 3 equipas de médicos, enfermeiros e equipamento, é economicamente incomportável (segundo ouvi por ai, cada parto destes representa um custo para o Estado de aproximadamente 1500 €!!!). Aliás, enquanto candidata a futura médica, admira-me que um obstetra que realize, por dia, uma média de 0,36 partos se sinta realizado profissionalmente. E depois ainda há quem venha dizer que é uma vergonha e que os médicos deviam ser obrigados a ir para o interior. Para atender 0,36 pacientes por dia eu é que não ia para lá! Embora exista ainda, felizmente, quem queira ir. E, pelos vistos, quem não queira de lá sair. De forma compreensível, afinal de contas, onde mais se pode obter remunerações por horas extraordinárias como as que são pagas aos médicos dos hospitais do interior, com manifesta falta de clínicos (e de partos, pelos vistos) e, portanto, com necessidade de horas extra. Já para não mencionar o facto de, devido aos 0,36 pacientes que atendem por dia, não haver necessidade de os médicos permanecerem nos hospitais o tempo todo, sendo obrigados a ir jantar a casa ou a dar consultas privadas nos seus respectivos consultórios para se entreterem.. Por isto tudo, realmente, «deviam era mandar para lá mais médicos, que eles têm é falta de pessoal»..

Mas, a polémica não se esgota aqui. Parece que, mais do que a saúde de mães e recém-nascidos, interessa clarificar algumas questões de naturalidade, ou no caso das crianças que irão nascer a Badajoz, de nacionalidade. Reinventa-se um espírito regionalista, que todos julgaríamos morto após o Não à regionalização expresso no último referendo, e passa a fazer toda a diferença nascer em Braga ou em Barcelos. Quer dizer, eu nasci em Lisboa na Estefânia e sou natural de Sintra. Mas isso sou eu, que entendo que a maternidade é só um lugar onde se vai nascer e a naturalidade refere-se à terra de onde somos naturais, portanto, onde nos sentimos em casa. Obviamente, não partilhamos todos da mesma opinião. Talvez esta fosse uma boa altura para referendarmos novamente a regionalização, muito embora se partindo de proposta do governo, com o ódio de estimação que as pessoas parecem ter vindo a cultivar em relação a este, o resultado poderia não diferir grandemente do anterior. O melhor é esperar, já que daqui a uns anos ninguém mais se vai lembrar destas polémicas (pelo menos já ninguém se lembra das 150 maternidades que o PSD encerrou quando Leonor Beleza tutelava a pasta da saúde) e pode ser que o espírito regional se mantenha. Bem, regionalismos à parte, o argumento contra o fecho das maternidades que me parece mais plausível ainda é o da distância. Há casos em que uns quilómetros podem fazer toda a diferença. Porém, a verdade é que a maioria destas maternidades que, como salientavam os populares, têm baixissimas taxas de mortalidade, as têm exactamente porque transferem os casos mais complicados para os hospitais mais frequentados. A diferença é que dentro em breve em vez de serem enviados os mais graves serão todos. Poupam-se alguns minutos de triagem que, por certo, serão importantes. 

Por fim, há ainda quem, num último folego, tente deitar para a praça pública o argumento da desigualdade, que se baseia na teoria de que, encerrando tais maternidades, os ricos irão ter os filhos a badajoz, como aliás já acontece, e os pobres passarão a tê-los em casa, na impossibilidade de se deslocarem ao exterior. Argumento este claramente refutado pelo governo na Assembleia da República, ao anunciar a celebração de um protocolo com a maternidade da dita cidade e ao garantir a deslocação das grávidas para as maternidades mais próximas. Naturalmente, lá vem o argumento nacionalista outra vez: se se mandam os doentes para Espanha, cria-se desemprego médico em Portugal. Talvez sim. De qualquer forma, com a quantidade de espanhóis, romenos, brasileiros e outros médicos actualmente com contrato nos hospitais portugueses, o futuro desemprego médico é quase uma certeza. Há é que evitar as especialidades mais negras e a obstetrícia, com a tendência demográfica europeia de redução da natalidade, é, certamente, uma delas. 

 

publicado por Ana Silva Martins às 22:54
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Quinta-feira, 4 de Maio de 2006
Quem é que pediu oposição?

A última Assembleia de Freguesia de Algueirão-Mem Martins, que se realizou no dia 27 de Abril, foi tudo menos morna. Apesar de pouco participada em termos de público (exceptuando cinco ou seis militantes do PS talvez estivessem presentes duas ou três pessoas do «verdadeiro» público), a Assembleia ficou marcada, ainda, quer pela extensão da ordem de trabalhos, quer pela qualidade de algumas intervenções. Começando, naturalmente, pela intervenção do deputado* do Partido Socialista Valter Januário, que num tom entusiasmante e com a total atenção das pessoas presentes demonstrou à Assembleia que o Presidente de Junta fala a duas velocidades: uma para a comunicação social, prometendo obras, anunciando projectos, publicitando as intenções do executivo; outra, menos activa, para a Assembleia de Freguesia, através da sua Informação Escrita referente a este primeiro trimestre. Isto de uma forma espirituosa e devidamente fundamentada com recortes de artigos da imprensa sobre o Presidente de Junta e o seu executivo. Claramente, um exemplo de um discurso de oposição cativante.

Mas quem pensava que a contestação ia ficar por aqui enganou-se. Já passava da meia-noite quando, o líder de bancada do PSD salta para o palanque e dá a conhecer à Assembleia a posição da sua bancada relativamente ao último ponto da ordem de trabalhos. Num discurso bem elaborado e fundamentado juridicamente, o deputado* explicou a razão pela qual o PSD iria votar contra uma proposta feita pelo Presidente de Junta, pertencente ao seu partido, que não tem na verdade legitimidade para a apresentar, pois esta deve ser antes apresentada em nome de todo o executivo. Outros pormenores marcavam, ainda, a proposta. No final, os partidos da «verdadeira» oposição agradeceram o tom moralista e a forma estruturada como o PSD manifestou o seu sentido de voto, concordando que não fariam melhor. Naturalmente, esse ponto foi chumbado após uma tentativa pública da Mesa de apurar responsabilidades. Decididamente, esta foi uma sessão animada.

Convém ainda salientar que a moção apresentada pelo PS relativamente ao 25 de Abril foi aprovada por unanimidade, como não poderia deixar de ser, tendo em conta o seu tema.

 

 

* O Presidente de Junta propôs no seu discurso que os membros das bancadas da Assembleia de Freguesia passassem a ser designados por deputados, já que os membros da Assembleia Municipal assim o eram e não estava escrito em lado algum que assim fosse.

publicado por Ana Silva Martins às 21:50
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